A campainha tocou e então gritei que já estava indo... Peguei meu celular e fiquei assustada com o horário, 10 h da manhã, parecia mais cedo. Olhei pela janela, estava um pouco escuro, um temporal à vista. Ainda estava de camisola e resolvi me trocar primeiro... Abri a porta e encontrei um homem caído na soleira... Meu Deus! Estava morto, então liguei para Central da Polícia. Assim, após a viatura levá-lo, tive de ir até a Delegacia. O Delegado iniciou o interrogatório:
― Boa tarde, diga-me seu nome e endereço.
― Boa tarde, senhor delegado. Sim, sou Maria Antonieta Borges Aihls, meu endereço é Rua São Francisco, nº 513, apt.11, Leblon.
― Profissão?
― Atriz.
― Encontrou um homem morto... E você o conhece?
― Não...
― O que a senhora fez ao ver o homem?
― Toquei com meus dedos o corpo dele, estava frio e rígido. Depois, liguei aqui para central de polícia.
― Você escutou alguma coisa antes de encontrá-lo?
― Bem, acordei por volta das 2h com uma briga, mas não sei exatamente como foi, o que aconteceu, estava muito cansada e dormi novamente.
― Briga entre um casal?
― Provavelmente, havia uma voz feminina também...
― Seria uma briga em algum apartamento vizinho?
―Estava sonolenta, não tenho certeza, mas acho que estavam no corredor mesmo.
―Escutou o que diziam?
―Parecia uma discussão, mas não consegui ouvir muito bem, acredito que passaram pelo corredor, escutei vozes.
― Recorda de mais algum fato?
― Espera, estou assustada com tudo isso, mas a mulher gritou, sim acho que era uma voz feminina:
―Você vai me pagar por tudo...
É isso! Não me recordo de mais nada.
― Obrigado, por enquanto, Senhora Maria Antonieta.
― Ok, Delegado, estou à disposição.
Escrito por: Eliane Graciela.
Um crime em minha porta.
—Identifique-se, senhora.
—Sou Fábia Roberta, moradora da Rua das Flores, número 18.
—Como encontrou o cadáver?
—Acordei com um barulho estranho que vinha da rua. Abri a porta da sala e ele estava caído na soleira.
—Ele estava vivo ainda quando se aproximou?
—Não. Toquei-o pelos dedos e percebi que seu corpo estava frio e rígido.
—Mas, por que, um homem morto na porta de sua casa?
—É a resposta que gostaria de saber também.
—A que horas foi isso?
—Por volta das três horas da manhã.
—Viu alguém lá fora ou na rua?
—Não. Estava muito escuro mesmo tendo acendido a luz do alpendre.
—O que a senhora fez quando encontrou o cadáver?
—Corri para o telefone e disquei o número da central da polícia (190).
—A senhora tem alguma ideia do que poderia ter acontecido?
—Não.
—Tinha mais alguém em sua casa?
—Não. Moro sozinha.
—Não tem nenhuma testemunha a seu favor?
—Não.
—A primeiro momento, a senhora está dispensada. Qualquer dúvida que surgir, será interrogada novamente.
—Até.
—Até.
E saí dali ainda tremendo pela situação constrangedora que, sem querer, me envolvi. Dias depois, lendo o jornal de circulação da cidade, A Voz do Povo, descobri que o homem foi assassinado com dois tiros no peito por causa de dívidas com agiotas da grande São Paulo.
Escrito por Fábia Roberta de Oliveira.